A eterna luta de classes, estereotipada pela cor do colarinho. Qual é a cor do teu colarinho?

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
O Cavalo Azul de Rínia

Obrigado a todos que se voluntariaram e colaboraram neste projeto, para a conceção de uma capa para este livro infantil, "O Cavalo Azul de Rínia". 

   

Reconheço o empenho de todos que participaram e sem dúvida que há muitos ilustradores com talento por estas terras lusitanas, visto as várias ilustrações soberbas que foram rececionadas.

No entanto, como o livro terá um único ilustrador, optei pelo novo talento José Luís Cardão, após ter chegado até mim a sua proposta, que fica de seguida aqui exposta para vossa consideração. 

  

Uma vez mais um enorme obrigado a todos vós e as maiores felicidades para a vossa carreira. 

  



Traficado por Dinis Vieira às 20:33
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
Biografia de um Larápio

Contos originais: "Biografia de um Larápio" 

 por Dinis Vieira 

 

 

  


   

         Olá. O meu nome é Valter Cruz e esta é a história da minha vida.

         O meu pai era um alcoólico compulsivo. A minha mãe também. A minha irmã prostituía-se na zona do Jardim do Infante desde os onze anos. A minha mãe na Avenida dos Combatentes. O meu avô nunca fez nada de jeito na vida. O meu pai também não.

         O panorama era composto pela presença assídua da polícia que acorria às cenas de violência doméstica. O pai à mãe, a mãe à filha. Eu também levei. Bastante até. Nada tinha o glamour da sétima arte, em que o mundo é posto aos nossos pés.

         Cresci num ghetto, e um dos mais complicados porventura. Ninguém dali arranjava emprego. Quem no seu perfeito juízo daria trabalho para depois ser roubado? Ninguém tinha escolaridade. A escola não alimentava e, em boa verdade, eu andava sempre esfomeado. Ninguém dali saía. Para onde? Para debaixo duma ponte? Condenado à partida, que vida fodida. Despejado numa corrida já escrita e lida.

         Apostei no trabalho árduo, no pão fermentado com suor. Não correu bem e, no final do primeiro dia à experiência, transpirando as estopinhas de dedicação e empenho, ouço o inesperado. “Obrigada e boa sorte, mas vai-te embora. Trabalhas muito bem mas a tua reputação também.”. Que reputação? A minha ou a do meu mundo? Nunca fiz mal a ninguém! Descartado à partida e de volta à viela. A cabra da velha… fiz-lhe o minete, que mais quer ela?

         Os gangs eram alternativa. Admito que facturavam, não nego que não fosse opção. O problema era toda a violência associada, nunca foi muito o meu género. Entrar de caçadeira em riste nas bombas de gasolina, numa loja algures, num banco, farmácia, ourivesaria. Uma cela em Custóias aguardava pacientemente estes jogadores de LifePoker. A esperança de vida era baixa. A polícia respondia cada vez mais com bala, até os próprios comerciantes desembainhavam do nada uma 9mm que não hesitavam em usar. Um amigo meu de infância morreu assim. Em paz Jonas.

         Eu era uma figura esguelha. Quem circulava naquelas ruas ou aprendera a ser esguio ou estava na cova. Também tinha algo que não abundava por ali: dois palmos de testa e quanto baste de bom senso.   

         Foi com naturalidade que enveredei por uma carreira distinta no ramo das limpezas. Limpava uns carros ao princípio da noite, duas ou três casas mais lá para a madrugada. Corria-me de feição. Fora talhado para aquilo, e sem dúvida que descobrira a minha vocação.

         Certo dia ouvi num café que a casa do procurador da comarca fora assaltada. “Sem dúvida obra dum gang do leste da Europa.”, diziam entrementes viravam outra mini. Eu sabia que executava bem o serviço, e posso dizer que era brioso com o meu trabalho, tal como é todo o indivíduo que se considera um bom profissional. Nem rasto ou zunzum. Isto era somente a confirmação. Estava nos píncaros. “É bem feito para aquele merdas. Tantas vezes que os soltou que agora foderam-no a ele.”, zombavam os presentes. Trabalho comunitário! Nunca vira as coisas assim.

         Eventualmente expandi o meu negócio. “Limpezas Valter, Lda”, soava-me bem. Passei a limpar casas em pleno dia. Sentia-me confiante.

Aquela conversa do gang do leste lembrara-me de um modis operandi que ouvira dizer que usavam: marcas. Nas caixas de correio ou nas portas, uma simples sinalética para recordar a situação da habitação. Seta voltada para cima, estão fora de manhã. Seta voltada para baixo, estão fora à tarde. Seta em ambos os sentidos, estão para fora de férias.    

         Original, prático, mas demasiado falível. Eventualmente Custóias.

         O conceito, todavia, podia ser aperfeiçoado. Quando um homólogo profissional esquece um dos princípios mais importantes, deriva inevitavelmente em mau resultado. Há que estar sempre um passo há frente das forças de segurança, pois parar é morrer, e neste caso específico é por norma Custóias. 

         Passei a estudar afincadamente os meus clientes, anotando num pequeno portátil toda a informação. Mais seguro do que em papel, não ficava ainda assim à mão de semear, mas sim online, em servidores específicos controlados por hackers que dificultavam o rastreamento da informação. Sim, eu tinha dois palmos de testa.

         Guardava também do mesmo modo todo um inventário de material limpo e o endereço do respectivo local de limpeza, e de homens de negócios interessados em revenda, úteis para escoar o stock.   

         Eu era aquele com quem se devia falar, era aquele que se devia conhecer. Tal propagação do meu negócio levou forçosamente a acrescidos riscos. Muitas bocas pronunciavam agora o meu nome, nem todas de confiança. Muitos caminhos levavam agora até mim, nem todos seguros. Medidas tinham que ser prontamente implementadas para que eu permanecesse o tal passo à frente, antes que eu virasse Roma. Sim, eu tinha bom senso.

         Passei a aplicar o método dos sinais nas portas e caixas de correio. A diferença é que eu marcava as que não tinham qualquer interesse. Desviava atenções, e por conseguinte desanuviava os meus alvos.

         Fiquei mais criterioso nos barracos para asseio. Não mais iria por pequenos montantes, artigos obsoletos de fraca procura, por recheios mal apetrechados. Se o fizesse era em grande. Na lista de clientela passaram a constar empresários, advogados, médicos, até um juiz desembargador lá marcava presença.

         Quando eu ia à classe média, o interesse suscitado era de pouca monta: um ou dois polícias técnicos para lofoscopia, por vezes ninguém lá ia, arquivamento precoce contra desconhecidos.    

         Agora, equipas numerosas e de diferentes polícias faziam uma exaustiva análise técnica ao local do crime. Métodos e meios invulgares para aquele tipo de criminalidade foram colocados no terreno, orientados e operados por altas patentes da GNR, da PSP, e até da PJ, com estreita colaboração entre as entidades. Potenciais chibos eram espremidos, correlação dos métodos aplicados em diversos crimes do mesmo género eram verificados na procura de um padrão. Nunca vira nada assim! “Mexam com os barões, que a retaliação virá forte e implacável.

         O meu avô nunca fez nada de jeito na vida. O meu pai também não. Eu não seria assim. Não era igual. Tinha potencial e empenhava-me em o empregar. Eles que viessem: eu estava sempre o tal passo à frente.

         Passaram meses. O serviço corria-me impecavelmente. Eu estava a limpar o mundo. Critério, atenção e gosto pelos detalhes, cumpridor das regras do Valter não dando azo a pontas soltas. Sentia-me bem. Superava algumas das mentes mais brilhantes do país, superava os mais sofisticados meios ao dispor da lei. Não era possível deterem a minha marcha, o meu ímpeto e garra de conquista. Tornei-me a seu tempo no profissional mais bem cotado a nível nacional.

         Os meus contactos não eram efectuados pessoalmente, a minha zona de acção não tinha molde, os tais chibos não davam sumo porque simplesmente estavam secos.

         Perdi a conta às vezes que os jornais abriram à minha pala, honras noticiosas para as minhas obras de arte, manchetes feitas ao meu ritmo, jornais vendidos, audiências de transmissão superiores, eu mexia na economia, indirectamente acredito que dava emprego a muita gente. Porra, até tive direito a uma generosa recompensa monetária para a minha captura, especada na página da PJ, algo inédito neste país. Progredi definitivamente na carreira!

         Um dos truques para evitar a queda era a transparência. Nada tinha a esconder na minha casa. Vivia num T1 alugado, cujo senhorio azedava quando eu me atrasava propositadamente na renda. Compensava depois com algumas cervejas que eu trazia supostamente aquando de uns esporádicos biscates. Não fazia perguntas, ficava apaziguado com a antevisão dum serão bem regado.

         Casa humilde de sofás roçados e órfã em bens. Parecia um pouco maior assim o ínfimo espaço interior disponível.

         Auferia o rendimento mínimo que o estado me ofertava de mão beijada. “Duplo roubo.”, lembrava eu por vezes num tom jocoso. “Subsídio-dependente.”, diziam alguns que me viam à pala dos seus impostos. Colocavam-me no mesmo saco dos drogados, dos ciganos, dos parasitas. “Têm razão.”, pensava entrementes a minha alma ria da ironia do sistema. Pagar a ladrões para roubar, em nome de uma ética social carecida de reforma. Não me queixava. Era bom para as aparências e sempre entrava mais algum. Nunca é demais apesar de já ter imenso. Afinal de contas,… eu era um empresário.

         Os meus dividendos estavam em bom porto ancorados. Eu era paciente. Viria o tempo da reforma dourada, banhada algures bem longe numa qualquer ilha paradisíaca. As aparências eram tudo. Nada me faltava no frigorífico, mas só aí. Não tinha roupas janotas, não esbanjava dinheiro que não era suposto ter.

         O meu carro era a minha imagem: por fora um calhambeque, debaixo do capô um tremendo poder, ao melhor nível do tunning, potência útil para auxiliar eficazmente as minhas empreitadas.   

         Um dia pela manhã descansava serenamente, regozijado no pranto duma noite proveitosa.

         Ruídos incómodos acusam a sua presença à minha mente adormecida. Entreabro os olhos, aborrecido pelo estorvo. Batem à porta. Pergunto quem é. Ninguém responde. Volto a perguntar. De súbito a porta vai ao chão num monumental estrondo. Após derrubada, vultos pretos atravessam-na, pisando-a, numa entrada frenética e estonteante. Em poucos segundos uma dezena de operacionais das forças de segurança atulham o exíguo apartamento, berrando em plenos pulmões, com armas vigorosamente empunhadas e voltadas para mim. Tanto alarido. Eu nem sequer me mexi. Continuava deitado apaticamente na minha cama, como na manhã anterior.

         Algemado, acossado, levado entre vários agentes que me guardavam veementemente, quais gaviões. A saída à rua é secundada pelo meu espanto, tais eram os meios presentes no local. A quantidade de viaturas, polícias, e até cães lá andavam. Assombroso.

         Alguém chamara a televisão, pois eles lá estavam. Quem tanto lucrara graças a mim, fazê-lo-ia pela derradeira vez, mas em proporção inconcebível. Vim a saber mais tarde, que foi tudo em directo para o país. Em directo. Eu!

         Rostos que conheciam-me desde pequeno, o senhorio de boca aberta à janela, a malta do ghetto à espreita à socapa, questionando-se para quê tudo aquilo pelo Valter, o subsídio-dependente, o gajo que não era ninguém.

         Presente de imediato a tribunal, saí dali para a preventiva. Pernoitei em Custóias, na expectativa pelo rumo do dia seguinte na audiência, interrogando-me aonde eu falhara. Custóias! Sempre lá fora parar.

         Primeira conversa a sós com o advogado oficioso, um licenciado com parca experiência que a justiça entrega ao povo que não tem posses para ter alguém mais capaz para os defender. Queriam-me entalar sem margem de dúvida.

         Comuniquei ao advogado que não pretendia que me representasse. Solicitei entrar em contacto com determinado causídico. Tinha em mente a pessoa certa para me dar algum alento, um sopro de esperança numa defesa real. Um homem em cuja habitação eu nunca operara, vislumbrando um dia vindouro semelhante ao que então vivia. Uma pessoa sem escrúpulos, que visava o lucro acima de tudo, que vendia a família se fosse proveitoso. Um homem assim, ideal para me representar.

         Na audiência tomei conhecimento pela primeira vez acerca de uma inovadora técnica ao dispor da polícia-científica. Um aparelho que lê a emanação calorífica deixada pelo calçado, detectando assim um rasto perfeitamente visível se analisado em tempo útil, invisível ao olho nu.

         Perfeitamente visível ficara um rasto que saía da habitação e seguia para um local nas imediações onde antes se encontrava a minha viatura. Viatura que por sua vez fora vista ali estacionada por um morador, que somente se lembrava da cor, da marca e, de que era um calhambeque todo fodido. Calhambeque que por sua vez sorriu para a câmara aquando a passagem casual num local a meros quinhentos metros dali, que tinha um desses novos sistemas de vídeo-vigilância pública.

         E já está. Como um infeliz conjunto de casualidades deitou por terra todo um articulado sistema operacional que levara tempo a aperfeiçoar.    

         O rato roeu a rolha do rei da Rússia, e a vendetta do rei ruiu o raio do reino sobre o pequeno rato.

         Todavia, no fim, foi o poderoso sistema que pariu um rato. O longo braço da lei caiu por terra mercê do apurado sentido de procura de lacunas na justiça e arguição de nulidades no processo judicial que o advogado, cujos préstimos eu adquiri, possui e faz uso com eficácia.

         Foi exactamente uma das mentes fio condutor de toda aquela minha captura mirabolante, o procurador da comarca cuja casa eu tinha visitado no passado, que aterrou em piso falso, permitindo que o astuto advogado lançasse o seu veneno.

         O processo foi arquivado devido a falhas na condução do mesmo, originadas no infeliz procurador. Importantes pormenores previstos no código processual penal não foram seguidos à letra. Eu estava novamente livre.

         Um novo rumo eu iria tomar, pois agora tornara-me demasiado transparente. Seria contudo, um rumo com um generoso aprovisionamento de outros tempos por entre limpezas.     

         Ainda antes de sair do tribunal, passei junto do procurador e dirigi-lhe a palavra:

         - Lamento, mas não sou o seu homem. Espero que o apanhe.

         - Apanhá-lo-ei, sem dúvida. - replica em fúria. - Quando voltares a fazer merda, eu lá estarei, sua besta.

         - Eu não faço merda. - respondo calmamente. - Eu limpo-a.

         Bem, penso que ainda posso fazer uma última limpeza à casa de alguém, antes da reforma. É um favor pessoal a um amigo. 



Traficado por Dinis Vieira às 18:04
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
Puerilidade Desinibidora

Faleceu recentemente o irmão do meu sogro, ambos sessentões.

Eram muito próximos um do outro, pelo que o meu sogro sofreu bastante com a perda. Ele é uma pessoa reservada, não deixa transparecer facilmente o que sente, pelo que sonegou a dor em si.

 

A minha filha, sua neta, tem sete anos e frequenta a catequese da igreja católica da freguesia. A questão da fé de cada um é algo pessoal e íntimo. Quer seja uma fé monoteísta ou politeísta, quer valorize determinados princípios ou outros perfeitamente opostos, a fé diz respeito a cada ser humano na sua esfera individual. 

No caso da Lara, além da questão do legado da crença e da cultura dos seus progenitores, que a mesma mais tarde poderá acolher ou não, há uma indelével transmissão de valores morais e cívicos de atuação em sociedade que são adquiridos na catequese.

Hoje em dia sobressai cada vez mais nas pessoas a ausência deste fio condutor no comportamento generalizado, em particular no caso dos mais jovens. 

 

Não obstante eventuais divergências de opinião sobre o supracitado, o que me surpreendeu e levou a partilhar convosco o seguinte, foi uma situação ocorrida. 

Dois dias após o funeral, a menina, incentivada pela mãe, telefona para o avô para que este se animasse um pouco ao falar com a neta. 

 

- Que foi avô? Estás triste?

- Estou.

- É por causa do teu irmão ter morrido?

- Sim, é.

- Mas olha, ele não está morto. 

- Não está? 

- Não, ele está vivo dentro de ti. As pessoas de quem nós gostamos estão sempre vivas dentro de nós, tal como a tua mãe ou o teu pai. 

 

Cerca de meia hora após o telefonema, uma tia da menina que reside com o avô, telefona de volta. Questiona a mãe acerca do conteúdo da conversa que a menina teve com o avô. Disse que após a chamada, o avô sentou-se à mesa para jantar e começou a chorar. Aquele homem, duro e controlado, que nem durante o funeral tinha derramado uma só lágrima, encontrava-se agora à mesa a chorar em frente aos restantes membros da casa. Perguntado qual o motivo, o mesmo disse que de todas as pessoas que falaram com ele após o falecimento do irmão dando condolências, nenhuma tinha dito palavras tão comoventes e bonitas como as da menina.

   

Muitas vezes não dizemos francamente o que sentimos, o que realmente pensamos. Por vezes há quem precise simplesmente de ouvir a verdade, ou de ouvir algo que faculte algum conforto e alívio, ainda sabendo que não passam de meras palavras. E esse é o dom das crianças. A puerilidade desinibidora que as crianças ostentam é uma das suas grandes virtudes, que infelizmente consome-se com o passar do tempo até desvanecer completamente.

 

Não é normal a Lara ter este género de conversa. É um elemento estranho ao ambiente em que está inserida. Tal só poderia ter surgido por frequentar a catequese. Mas uma criança que parecia que apenas ia à catequese para passear e estar com as amigas, sem que prestasse ainda qualquer atenção aos assuntos abordados, surpreende agora pessoas adultas com diálogos que a transcendem. 



Traficado por Dinis Vieira às 13:21
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